Mônica Vermelha

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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Políticas de cotas: rasgando o verbo.

As cotas não foram criadas para melhorar a qualidade da educação, elas foram criadas para democratizar o acesso às universidades públicas que SEMPRE foi extremamente injusto e desigual, elas foram criadas para REPARAR uma injustiça, ou melhor, uma exclusão secular.

Tem ainda o argumento ridículo de que as cotas vão "baixar o nivel" das universidades públicas, já que os alunos oriundos das cotas, no geral, tiveram uma educação básica precária. Várias estatísticas demonstram que os alunos cotistas tem tido ótimo desempenho nas universidades e, a realidade tem demonstrado que o desempenho dos universitários está muito mais associado ao nível de seriedade, compromisso e disponibilidade dos mesmos para com os estudos. Nesse aspecto, há que se considerar ainda que se, por acaso, a qualidade da educação universitária for, digamos, mais condizente com os níveis de qualidade da educação básica, isso é o certo. Falando português claro - e não me venham distorcer as minhas palavras - o justo, o correto é que a educação básica tenha, no mínimo, a mesma qualidade da educação superior e, para que isso aconteça, os investimentos na educação básica devem ser maiores, mesmo que isso signifique retirar recursos da educação superior, aliás, muito provavelmente, é essa a coragem que está faltando aos nossos dirigentes maiores.



 Todas as pesquisas estatísticas demonstram a exclusão real dos negros no Brasil em todos os tempos e ainda hoje; basta ver as estatísticas de emprego, de escolaridade, de renda, de habitação, de saúde, de acesso ao lazer... As cotas não reforçam a discriminação. Cômoda e singelamente, os racistas vêm nas cotas um argumento a mais para destilar seu ódio e sua ignorância. Quem não é racista simplesmente sabe que se os negros não estavam na universidade antes, não era por incompetência ou por falta de esforço ou porque não queriam, era simplesmente porque sempre houve toda uma estrutura armada - não importa se intencionalmente ou não - para dificultar/impedir a sua entrada e permanência na universidade pública. As cotas não excluem a necessidade de se investir mais e melhor na educação básica, ao contrário, elas reforçam essa necessidade. Quando isso acontecer - quem sabe daqui a cinquenta anos? - então as cotas, de qualquer natureza, deverão ser, legitimamente, extintas. As cotas, legalmente prescritas agora, não são privilégios, ao contrário, elas vem por termo a uma era em que a universidade pública era privilégio dos brancos. É isso, a universidade pública - extra-oficialmente e na prática - SEMPRE FOI PRIVILÉGIO dos "brancos bem nascidos". Os brancos - pobres ou ricos ou remediados - não tem a menor legitimidade para se revoltar, até então as universidades já eram cotizadas: 80% de vagas para brancos bem nascidos, 19% para brancos pobres que conseguiam - a duras penas - furar o cerco e 1% para negros muuuuuiiiiito atrevidos que - unindo competência, força e um pouquinho de sorte, às vezes - se impuseram. O justo - já que estamos falando de universidades públicas - seria que a situação fosse invertida e a reserva de vagas para negros fosse de 80%. Se vivemos numa sociedade em que, no mínimo, 80% da população é pobre e negra, então 80% das vagas das universidades públicas deveriam ser reservadas para essa parcela, simples assim. Daqui a algumas décadas, quando as condições estiverem mais igualizadas, aí sim as cotas poderão ser vistas como privilégio e as leis que as estabelecem deverão ser revogadas, posto que, nesse novo contexto, elas serão sim injustas e discriminatórias.


 É pura babaquice o argumento da classe média: "nós pagamos impostos" - os pobres e negros pagam muito mais impostos, em termos absolutos (já que são a maioria) e proporcionais, visto que não temos, efetivamente, alíquotas progressivas. É claro e justo, além disso, que os serviços públicos - de saúde, de educação, de habitação etc - devem atender prioritariamente a quem não tem condições de pagar por eles, isso é, simplesmente, óbvio.

Um comentário:

monica santos disse...

Tiro sim amigo, essa frase engraçada, não é engraçada, é racista. Obrigada.