No sentido de melhor refletir sobre o papel do estado, vale introduzir a reflexão proposta por alguns autores a respeito das relações entre o estado e as classes sociais. Nesta perspectiva julgamos conveniente introduzir aqui as reflexões de Lindblom (1979), Przeworski (1989) e Offe (1985), sobre as relações entre o estado e o capital nas democracias capitalistas contemporâneas. No seu livro Política e Mercados, Charles Lindblom (1979) argumenta que a conjugação dos elementos da democracia com os do mercado aponta para a inevitabilidade de que, não obstante o fato de que a democracia pressupõe algum controle popular sobre as decisões públicas, o que acaba prevalecendo é a influência da classe empresarial sobre tais decisões nas sociedades capitalistas, onde as classes populares ou trabalhadoras têm reduzidas fortemente as suas chances de fazerem valer os seus interesses.
Este blog tem alguns objetivos singelos: trocar idéias, "provocar" os leitores, interagir e compartilhar opiniões, sonhos, dúvidas, conhecimentos, experiências...
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sexta-feira, 7 de março de 2014
quinta-feira, 6 de março de 2014
Da Copa, das Olimpíadas e da Política!
Tenho lido vários artigos nos blogs que frequento que questionam, tal como eu, a validade dos protestos contra a Copa e dois argumentos, dos quais compartilho, são frequentes: o primeiro é que os protestos estão sendo manipulados por setores ultra-reacionários que se escondem atrás de máscaras para promover o caos e a instabilidade e assim forçar uma queda nos índices de aprovação da nossa presidenta-candidata Dilma Roussef; o segundo é que tal movimento chega tarde, muito tarde, quando praticamente todos os gastos já foram feitos e boicotar a Copa agora seria apenas uma atitude pouco patriótica que não beneficia "ninguém" e aumentaria significativamente os prejuízos para o país. Neste sentido, um comentarista, (que não me lembro o nome e nem de qual blog) fez uma sugestão interessante: que tal mudar o nome do movimento para "nãovaiterolimpíadas"?
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
O discurso do “pode mais” encobre a porta do passado - www.tijolaco.com.br
11 de fevereiro de 2014 | 11:14
Autor: Fernando Brito
Autor: Fernando Brito
Vocês já repararam que a oposição, no Brasil, nunca diz que “é contra?”
Na campanha de 2010, recordem-se, Serra apelou para “O Brasil pode mais”.
Dizia que poderia fazer mais e melhor.
Quando a memória dos brasileiros lembrava que haviam feito menos, e muito pior.
Agora, a conversa é de que “o modelo está esgotado” e que é preciso partir daqui para um novo, porque este está nos afundando.
O Brasil real, entretanto, vai atravessando- com dificuldades e escoriações, é verdade – o campo minado de uma crise que destroçou a economia mundial, criou centenas de milhões de desempregados e arruinaram as potências mundiais.
Se este modelo está esgotado, qual é o que se abre para o país?
Cessar os gastos públicos com programas de transferência de renda?
Revogar a política de investimentos pesados em infraestrutura, para a qual nunca há dinheiro privado?
Abrir mais ao capital internacional a exploração de riqueza do petróleo, renunciando a fazê-lo, essencialmente, sob o comando da Petrobras?
Retornar a uma diplomacia de submissão, regressando a um alinhamento automático com os EUA.
Acabar com as garantias de aumento real do salário mínimo?
Cortar os subsídios para a habitação popular do “Minha Casa, Minha Vida”?
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Carta Aberta à Presidenta Dilma Roussef.
Minha caríssima presidenta, bom dia!
Perdoe-me a ousadia mas, como brasileira, petista e alguém intensamente interessada na maior democratização do nosso querido Brasil, resolvi lhe escrever essas "mal traçadas linhas". É que, não obstante reconheça os muitos avanços dos governos Lula/Dilma, a ponto de considerá-los como os melhores da nossa história, tem algumas questões que me estão atravessadas na garganta, não posso aceitá-las; embora compreenda, pelo menos parcialmente, as imposições da governabilidade e os riscos de um "revertério autoritário", já que, infelizmente, temos setores muito poderosos que nunca irão se conformar com a promoção da igualdade, a democratização e a inclusão social promovidas pelos governos petistas, ainda que isso não signifique nem um arranhãozinho nos seus privilégios.
Bom, mas como eu dizia tem algumas coisas que eu considero que são inaceitáveis e vou listá-las para que, caso a senhora julgue adequado, possa refletir sobre elas e, quem sabe, rever:
AlGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE DEMOCRACIA E CORPORATIVISMO.
Buscando um possível caminho para que as demandas sociais, principalmente aquelas advindas das classes menos privilegiadas, pudessem ser melhor processadas foi que nos dispusemos a refletir sobre o mecanismo de intermediação de interesses representado pelo sistema corporativista, analisando o seu potencial enquanto sistema regulador das relações entre estado e sociedade e as suas possibilidades efetivas de contribuir para o aperfeiçoamento da democracia em sistemas políticos como o nosso.
A primeira reflexão a que nos propusemos, acerca do conceito de estado, bem como suas funções, dimensão e limites de atuação, veio demonstrar a precariedade política e institucional do estado brasileiro no que se refere à credibilidade das instituições estatais, bem como à sua frágil capacidade de articulação e processamento das demandas sociais, além do problema crucial representado pela falência e péssima administração financeira do mesmo que, ao mesmo tempo que se vê impossibilitado de financiar os bens e serviços demandados pela sociedade, se vê cercado por episódios frequentes e irritantemente repetitivos de corrupção, malversação e impunidade.
O problema da incapacidade do estado de processar as demandas oriundas da sociedade adquire proporções ainda mais alarmantes na medida em que se constata o quão pouco organizada é a sociedade brasileira e a necessidade de se promover uma participação política maior e qualitativamente melhor, que incorpore os amplos setores até então excluídos das arenas decisórias.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Se eu fosse candidata...
Estou cada vez mais convencida de que as pessoas de bem têm o dever de participar mais ativamente da política, e, por isso, acabei divagando um pouco sobre quais propostas eu faria se fosse candidata a prefeita, por exemplo; afinal, eu me considero uma pessoa de bem. Este “artigo”, entretanto, é apenas para por algumas ideias na roda, quem sabe, alguém aproveita algo!
1 – a minha candidatura seria necessariamente uma candidatura pobre, penso que nos tempos atuais é possível e bem mais adequado fazer uma campanha focada basicamente em reuniões/assembleias em praças públicas e internet/redes sociais. Para isso, a campanha precisaria, basicamente, de um equipamento de som e de gasolina, e de um ou dois computadores com internet, coisa relativamente fácil de se conseguir, começando pelo meu computador pessoal e, provavelmente, agregando o de algum apoiador que pudesse disponibilizar isso;
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
O mercado e a miséria.
Em tempos de globalização e neo-liberalismo, o mercado reina absoluto, sem que ninguém ouse questionar os seus fundamentos principais, não obstante o seu fracasso social gigantesco e a sua incapacidade crônica na erradicação da fome e da pobreza. Cada vez mais crescem as desigualdades intra e internacionais, e a lógica liberal persiste soberana, embora o seu mérito mais significativo e, ao mesmo tempo, nefasto, seja a produção de uma enorme massa de seres humanos “descartáveis” que, sem nenhuma utilidade mercantil, são desconsiderados e totalmente invisibilizados social e politicamente.
Não obstante o crescente avanço tecnológico e o aumento sistemático da produção mundial, a miséria persiste, a concentração de renda se agiganta e a exclusão social, política e econômica se abate implacável sobre mais de dois bilhões de habitantes desse nosso planeta (PNUD, 1992).
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